sábado, 9 de julho de 2016

Minha experiência com o revezamento da "Troxa Olímpica"

Minha experiência com o revezamento da "Troxa Olímpica"
Por Jone César Silva
Em 20 de junho, em nosso projeto, houve um atraso de duas horas na chegada da equipe "olímpica" Manaus/RJ que superlotou e quase afundou nosso Flutuante "Amigos do Boto" (ele tem menos de 40 metros quadrados, desconsiderando a casinha, que não foi usada).
Os "Olímpicos" foram escoltados por uma frota gigante da Marinha Brasileira (só faltaram corvetas e submarinos). Havia mergulhador de plantão, um monte de "Soldados Universais" programados para cuidar da chama como se fosse o Santo Graal emanando a chama do divino poder superior intergaláctico abençoado pelo Deus Hefesto.
O barco da Polícia Civil, aparentemente com o a corporação inteira, e o barco de bombeiros, da Guarda Nacional, Barco Ambu-lancha e gente arrogante do Comitê Olímpico que tratou com menosprezo a Prefeita do município de Iranduba (onde se encontra nosso flutuante) e sua equipe. 

Mais de uma dezena de barcos circulando os botos e causando exaustão em nosso colega que nadou com a tocha por quase 40 minutos (cada tocha ficava acesa por 20 minutos, foram usadas duas) para que a equipe de fotógrafos e cinegrafistas "oficiais" pudessem registrar os melhores momentos dos botos saindo para fora d'água em busca de um peixe.
Um dia antes, preparamos nosso boto inflável de 15 metros de comprimento que já foi utilizado pela nossa organização (AMPA / INPA) em outras campanhas de proteção aos botos da Amazônia, e ouvimos com clareza auditiva o pessoal do Comitê Olímpico falando para os fotógrafos e cinegrafistas evitarem de filmar ou fotografar o nosso boto.
E, para fechar com chave de ouro, assassinaram a mascote do Comando Militar da Amazônia (CMA), a onça-pintada Juma, que participou do revezamento da tocha (sem autorização do IBAMA nem do IPAAM).
Provavelmente esta onça tenha sido abatida pelo stress causado pelo mesmo frenesi humano e irracional utilizado no planejamento deste revezamento, que eu presenciei no dia de hoje.
Outra coisa legal, "para finalizar". Nosso amigo que citei, que carregou e nadou com a tocha, é um ribeirinho que vive às margens do rio Negro, possui sete filhos e vive com sua esposa, sobrevivendo com o dinheiro que ganha eventualmente da atividade de turismo com botos, às vezes pode receber muitos turistas, mas por semanas pode não receber nenhum.
O Comitê Olímpico cobrou R$ 500,00 (QUINHENTOS reais) para que ele ficasse com a camiseta oficial (confeccionada com o tecido do Santo Sudário, sem dúvida) que utilizou durante sua "apresentação" voluntária, para qual teve que treinar por alguns dias, porque o Comitê achou "mais legal" colocá-los em uma prancha de SUP - "Stand Up Paddle", ao invés de uma canoa tradicional de ribeirinhos da Amazônia.
A "Troxa Olímpica de Hefesto" foi oferecida para ele por uma bagatela de R$ 2.200,00 (DOIS MIL e duzentos pilas).
Enfim, encerrou o circo, os simpáticos organizadores e seus "Soldados Universais" entraram no comboio das Forças Armadas do "Bràzyú", e apenas uma pessoa do Comitê se despediu de mim, particularmente, um português de Lisboa, que me deu um simpático tchau e um aperto de mão, talvez pela vergonha ou remorso de ser descendente de nossos colonizadores e ter presenciado a nossa invejosa organização olímpica.
Esta é minha opinião e conclusão pessoal do que eu assisti hoje. Esta declaração não se estende à opinião alheia dos colaboradores da minha organização e muito menos um posicionamento institucional da mesma.
A noticia boa é que esqueceram de levar a camiseta do Santo Sudário de R$ 500,00...
Querem saber mais sobre a onça, leiam na BBC:

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Organizações Salvadorenhas se pronunciam pelo assassinato da liderança indígena Berta Cáceres em Honduras

Organizações Salvadorenhas se pronunciam pelo assassinato da liderança indígena Berta Cáceres em Honduras
A Coordenação Indígena Salvadorenha realizou uma Conferência de Imprensa para denunciar as motivações e autores do assassinato da líder indígena Berta Cáceres (47 anos) e que foi morta por estar mobilizando as comunidades indígenas e organizações sociais de seu país. 
O objetivo era barrar com as atividades de empresas interessadas na exploração dos recursos naturais e contrária a instalação de uma hidroelétrica sobre um rio na parte ocidental de Honduras.
O assassinato, realizado por um matador de aluguel, a mando de um oficial do Exército, que intermediou a ação com um Gerente da empresa dona da Hidroelétrica, teve a prisão de todos os envolvidos, que agora aguardam pela sentença.
Segundo a ONG Waste Less Future, com Berta Cáceres, são hoje mais de 116 ambientalistas ativistas mortos em um ano na América Latina.
A morte da ativista de Honduras, Berta Cáceres, apenas uma semana depois de ter sido ameaçado por se opor a um projeto hidrelétrico, é uma tragédia inqualificável, mas não é a única.
Ela é a mais recente vítima de uma longa linha em Honduras, desde o golpe que derrubou o presidente reformista Mel Zelaya em 2009. O co-fundador do Conselho dos Povos Indígenas de Honduras (COPINH) foi morto a tiros por homens armados que entraram sua casa em La Esperanza em torno de 1:00 na quinta-feira. Alguns relatos dizem que havia dois assassinos; outros sugerem 11. Eles escaparam sem serem identificados, depois de também ferirem o ativista mexicano Gustavo Castro Soto.
No ano passado, Cáceres - que é membro do grupo indígena Lenca, o maior em Honduras - recebeu o Prêmio Ambiental Goldman por sua oposição a um dos maiores projetos hidrelétricos da América Central, a cascata de Agua Zarca de quatro represas gigantes na bacia do rio Gualcarque.
O assassinato de Berta Cáceres, aumenta o temor dos ambientalistas, que têm sido historicamente alvo por suas ações ativistas, e por falarem sobre a injustiça ambiental que está colocando em risco comunidades.
Em abril de 2015, a ONG Global Witness publicou um relatório que mostrou que as mortes de ativistas ambientais estão aumentando, com as comunidades indígenas sendo as mais atingidas. 
O relatório caracterizou Honduras como o país mais perigoso para atuar como um defensor do meio ambiente. Os pesquisadores descobriram que, em 2014, pelo menos 116 ativistas ambientais foram assassinados. Destes, os maiores percentuais estavam protestando contra as atividades das empresas de energia hidrelétrica, mineração e agronegócio.
A Global Witness compilou um mapa das mortes no país, dando uma imagem surpreendente dos perigos que enfrentam os ambientalistas de todo o mundo. O mapa pode ser acessado neste link 
Em contraste com o ambientalismo fácil e glamouroso que domina muitos países ocidentais, os movimentos ambientalistas populares no mundo em desenvolvimento ainda enfrentam ameaças letais.
Isto evidencia, uma vez mais, que o direito de um ambiente seguro, saudável e ecologicamente equilibrado, que é um direito humano em si mesmo, é um direito humano que é freqüentemente violado, especialmente para os povos indígenas.

Por Julio Wandam
Ambientalista
Com Informações de Waste Less Future, Global Witness e Coordenação Indígena Salvadorenha