terça-feira, 22 de maio de 2012

Educação Ambiental: passado, presente e que futuro?

Educação Ambiental: passado, presente e que futuro?
Por Lilian Zenker 
Os movimentos em defesa do meio ambiente surgiram na década de 60. Nos anos 70, discutia-se um modelo de desenvolvimento que harmonizasse as relações econômicas com o bem estar da sociedade e a gestão responsável dos recursos naturais. No início de 80, Pós –Estocolmo - avançaram as críticas ao modelo de desenvolvimento tido como indutor das desigualdades sociais e da degradação ambiental.
A Educação Ambiental (EA) surge, então, para mudar valores frente ao novo paradigma: desenvolvimento pautado na sustentabilidade socioambiental. Dois eixos do ambientalismo passam a integrar as bases teóricas das políticas: sustentabilidade e interdisciplinariedade. 
Em 1987, a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU publicou “Nosso Futuro Comum”, usando o conceito de desenvolvimento sustentável, em substituição à expressão ecodesenvolvimento, considerada restritiva. Desenvolvimento sustentável passou a ser “o desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer as possibilidades das gerações futuras de atenderem às suas próprias necessidades”.
Alguns autores alertam para a indissociabilidade das questões de natureza social e ecológica. Em 2005, a ONU instituiu a “Década da educação para o desenvolvimento sustentável”. Contudo, a década está passando e sem efeitos que influenciem mudanças na educação ambiental brasileira. O modelo adotado baseia-se em ações pontuais e não em uma macro política. Há uma crise ambiental que coincide, por acaso ou não, com a crise do conhecimento, pois ambas têm sido tratadas de forma compartimentada e não transversal.
Observa-se um descompasso entre a demanda social, a sustentabilidade ambiental e a execução de políticas públicas para a área. 
Precisamos de uma EA voltada para a sustentabilidade socioambiental, resgatando o significado do ecodesenvolvimento como um processo de transformação do meio natural que, através de técnicas apropriadas, impeça desperdícios e destaque suas potencialidades. 
Ela deve ser permanente, promovendo a integração dos sistemas educacional e de meio ambiente e resultando na mudança de comportamentos. Mas precisamos ir além. É necessário uma educação transformadora que promova a formação integral do ser humano. Esta educação, aplicada às políticas públicas socioambientais e transversais, alcançará um desenvolvimento socioambiental institucionalmente sustentável.
*Educadora ambiental e Consultora do Instituto Biosenso de Sustentabilidade Ambiental

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