sábado, 4 de setembro de 2010

Profissão: Laçador - ‘Jumento é fácil. Difícil é cachorro brabo’

Profissão: laçador
‘Jumento é fácil. Difícil é cachorro brabo’
SERRA TALHADA, PE. Profissão: servidor público. Função: laçador.
Local de trabalho: prefeitura.
Pode parecer curioso. Mas essa é a ficha de José Nildo Pelônio da Silva, de 49 anos, contratado para laçar animais, principalmente jumentos que começaram a proliferar nas ruas de Serra Talhada depois da disseminação das motos.
Ele não é funcionário efetivo e deverá se inscrever no concurso que a prefeitura pretende realizar em agosto. O edital oferece seis vagas para laçadores. Na semana passada, ele percorria a BR-232 a bordo de um caminhão boiadeiro da PRF para capturar jegues na estrada.
Não vê mistério na profissão: — Laçar jumento é fácil, boi também.
Difícil é laçar cachorro brabo e porco solto pelas ruas — diz Nildo que, depois de trabalhar 12 anos numa fazenda, hoje está a serviço da prefeitura e da PRF no trabalho.
Ele tem orgulho de, em um só dia, ter laçado 19 jumentos. Há uma semana, conseguiu, com uma manobra só, prender a mãe e o filhote. Os bichos ficam 15 dias no centro de zoonose da prefeitura, até que os donos apareçam, o que nunca acontece.
Eles são doados ou levados para áreas distantes de caatinga.
— Depois das motos, os bichos aumentaram muito na estrada. Em tempo de seca é pior, pois eles saem da caatinga atrás de comida.
É difícil um dono vir buscar. Eles vêm buscar bode, porco, mas jumento, coitado, fica tudo por aí. O governo devia lançar uma vacina (anticoncepcional).
A prefeitura de Serra Talhada está preocupada com a invasão de jumentos no Centro e também na BR232, que corta o município. Tem servidores/ laçadores, para recolhê-los na cidade, e fez um convênio com a Polícia Rodoviária Federal para apreensão dos animais na rodovia. A PRF cede um caminhão boiadeiro com motorista e a prefeitura entra com um laçador e um espaço para guardar os animais apreendidos.
Em 2009, a PRF apreendeu 95 jumentos na área, contra 170 até o dia 4 de agosto de 2010, quando O GLOBO esteve em Serra Talhada. Os bichos apreendidos, no entanto, nunca são resgatados pelos donos, porque o valor da multa arbitrada — R$ 10 por animal — é o dobro do valor de mercado por cabeça.
— Com a invasão das motos, um jumento sai por R$ 5. Quem resgata é porque o bicho é de estimação — diz o prefeito Carlos Evandro.

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