segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A natureza é a culpada? Parece que sim...

A pergunta do título é algo que está sendo usado de forma leviana e desproporcional, devido a complexidade de fatores que levaram a mais uma tragédia anunciada anos atrás, décadas até. A natureza é culpada, o clima, as chuvas, instabilidade geológica, enfim, MENOS aqueles que permitem que as pessoas morem em lugares como estes, ou seja, o município, o estado e a união, para que morram de forma trágica e da qual a grande midia aproveita para vender uma idéia de tragédia "da natureza". Cadê os técnicos da Prefeitura que permitem, não fiscalizam as invasões, não cumprem com o que está nos planos diretores, até aqueles que burlam as leis, corrompem meia dúzia, e depois conseguem licenças "legais" e está tudo bem. Enquanto houver gente morando em encostas de morros, nos topos dos morros, nos rios, nos mangues, banhados e outras áreas não edificantes, continuaremos a ver, ouvir e sofrer com as pessoas que estão perdendo familiares devido a omissão, a negligência, a corrupção, a safadeza e outras situações.
É por estes motivos que professor ainda vai receber R$ 500,00 e R$ procurador da república R$ 15.000,00 e continuaremos a saber da existência de profissionais que são descartados pelos políticos quando se fala em obedecer normas técnicas mínimas para a ocupação urbana ocorrer de forma correta e ordenada.
Fica o lamento de mais uma das muitas tragédias que se abaterão sobre as pessoas que vivem nestas áreas.

Um dia após a tragédia provocada pelas chuvas que matou, pelo menos, 41 pessoas em deslizamentos de terra em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio, turistas assustados decidiram deixar a Ilha Grande, onde o desmoronamento de uma imensa barreira destruiu uma pousada, quatro residências de moradores e três casas de veraneio. Na ilha já são 28 mortos; no Centro de Angra, outros 13. A chuva também castigou outras regiões do Estado do Rio. Balanço da Defesa Civil contabilizava, até esta manhã (03/01), um total de 57 mortes.

Segundo a Ambientalista, Lisiane Becker, da ONG Mira-Serra do Rio Grande do Sul, ocupante de uma vaga no CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente), assim como as demais "tragédias anunciadas" no RJ, SC e RS, esta de SP é mais uma que mostra a ocupação humana como um ingrediente principal. "Atentem para o "resto" de floresta (ao fundo da Igreja que caiu em São Paulo), as margens do rio que atravessa a cidade, a aglomeração habitacional, bem como a vegetação que cobre os morros de entorno do vale". Para ela, com as mesmas práticas (de devastação ambiental) tem-se, mais cedo ou mais tarde, os mesmos resultados: (copie o Link) http://terratv.terra.com.br/Noticias/Brasil/4194-264728/Camera-flagra-queda-de-igreja-apos-chuva-em-SP.htm
Ela espera que a "reconstrução das edificaçães" nestes locais alagados/soterrados seja, desta vez, feita com auxílio técnico adequado e em locais apropriados, pois para ela "Minha Casa, Minha Vida" era para ter um fundo eminentemente ecológico, como impedir a ocupação de morros e das margens dos mananciais hídricos". Destaca que teve dificuldade em fazer aprovar um "considerando" que priorizaria a relocação dos cidadãos que vivem nas áreas ditas "de risco", na Resolução CONAMA 412/09: (copie o link) http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=605
"Agora, vou fazer questão de relembrar desta resolução na plenária da próxima reunião do CONAMA, pois já foi noticiado que enviarão recursos federais para a reconstrução das casas nas regiões afetadas", diz.
A situação de destruição ambiental está longe de ser um problema decorrido apenas pela mão humana, mas a ganância e a corrupção "há muitos anos opera dentro do sistema político e legislativo", diz o ambientalista e ativista Júlio Wandam, do ONG Os Verdes. O que ocorre para ele é um misto de negligência e omissões de parte das esferas municipais que "aprovam leis permitindo a construção em áreas não edificantes", casas, loteamentos e outros tipos de conjunto populares, "flagrante crime federal", diz, descumprindo ditames e normas técnicas basilares da construção civil.
Tal situação de "tragédia anunciada" dita pelo Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, é algo dito cerca de 30 a 40 anos pelos pioneiros na defesa ambiental no RS e Brasil. "Estamos a passos largos em direção ao incerto", avalia o ativista.

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