segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Movimento na Praia Brava quis chamar atenção para o desmatamento

 Movimento na Praia Brava quis chamar atenção para o desmatamento
Duas mil e cinquenta e nove pessoas "confirmaram presença" no evento "Contra o desmatamento da mata da praia Brava", lançado no Facebook e marcado para esse domingo de manhã na Praia Brava, Itajaí. O protesto ganhou força durante a semana nas redes sociais, e convidava as pessoas a se manifestarem contra o desmatamento devido à instalação de prédios (já em estado avançado) naquela praia.
O empreendimento "Brava Beach Internacional" fez uma nota pública: "Para esclarecer os fatos: O Brava Beach possui todas as licenças ambientais necessárias para a execução do empreendimento e inclusive corte e supressão da vegetação (Auc 09/2009 FATMA). E mais, o Brava Beach está preservando 42% de área total do imóvel, quando legalmente é exigido 30%. É lamentável este tipo de divulgação, sendo que o empreendimento tem buscado sempre o benefício dos moradores da cidade, contribuindo para o crescimento de Itajaí, inclusive gerando mais de 400 empregos diretos. Estamos à disposição para quaisquer esclarecimento". Eles apagaram diversos comentários que continham críticas da sua página no Facebook.
Há pouco mais de dois anos a Praia Brava vem sendo agredida com consistência pelas grandes construtoras, que deram início a condomínios de luxo, com torres e mais torres de até 12 andares em localização antes não permitida. Eles estão contemplados numa "lei especial" (Plandetures) que permitiu que cinco empreendimentos garantissem ocupar além da conta o que até então era restinga.
Leia reportagem que o Página3 publicou na época clicando aqui.
O evento desse domingo, organizado por jovens estudantes, aconteceu, com muito menos frequência do que os ilusórios números do Facebook sugerem. Mesmo assim estiveram lá cerca de 50 pessoas, que com apitos e coros, andaram pelas avenidas e se postaram em frente aos condomínios Brava Home, e depois Brava Beach. Foi uma movimentação pacífica, com acompanhamento da polícia.
Os representantes da ONG Ideia e ambientalistas "caleijados", Carla Cravo e Cristiano Voitina, foram até lá dar apoio e assinam embaixo do movimento: "A gente sabe que aqui na Brava a coisa já está complicada, mas é importante que isso sirva para chamar atenção para a consciência ambiental como um todo, afinal parece que ninguém vê, ninguém se toca", entende Cristiano Voitina. Carla acha que qualquer iniciativa nesse sentido deve ser valorizada e que as novas gerações precisam ser estimuladas a terem esse tipo de preocupação sócio-ambiental.
Não havia só estudantes, alguns representantes do bairro, moradores há muitos anos, também participaram, como Eduardo Amorim (Orelha), Reinel Spyker, entre outros. Um dos organizadores do "panelaço" Karl Luchtenberg, 20 anos, disse que a idéia do movimento partiu depois de relatos que uma dessas construtoras "aterrou" a casa de corujas buraqueiras recentemente. Nas mensagens de internet também mencionaram "uma macaquinha que apareceu com dois filhotes sem ter para onde ir". Soa sensacionalista, mas na primeira etapa do desmatamento (onde hoje já estão vários andares dos prédios) a vizinhança comentou que com frequência animais invadiam as casas buscando "socorro" nas ruas do bairro.
Na época as construtoras garantiam que havia biólogos em suas equipes fazendo o "transporte" de ninhos e alguns animais antes de cortar a vegetação, mas na prática se sabe que existe um prejuízo ambiental bastante significativo.
Indagado se ele não acha um pouco tarde para se movimentar a respeito daquela praia, Karl responde: "A gente não tem o intuito de embargar obra nenhuma, só de dizer que está de olho aberto, porque esse tipo de coisa vai continuar acontecendo enquanto estivermos assentindo".
Assista ao vídeo amador:
Fonte: Facebook/Blog Página 3

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