domingo, 2 de dezembro de 2012

Água pública sem o sangue dos povos: estamos unidas contra a privatização das águas

Água pública sem o sangue dos povos: estamos unidas contra a privatização das águas
Por Cíntia Barenho*
A Mekorot, empresa pública israelense de águas, expande suas fronteiras da apropriação indébita das águas dos territórios. A estatal, tida como um símbolo nacional de Israel, é a responsável pelo constante roubo das águas palestinas. 
A Mekorot opera sistematicamente cortando o abastecimento de água das famílias palestinas. Para se ter uma idéia, até os canos de abastecimento palestino, tem seus diâmetros significativamente menores que das casas israelenses.
Utilizam-se e reforçam o apartheid, que é social e ecológico, sobre o povo palestino. Ou seja, a apropriação e a opressão de Israel é sobre o território e todos seus elementos naturais existes dos recursos naturais. O controle dos elementos naturais é ponto-chave do apartheid israelense. E se ainda não o controlam, tratam de degradá-los a ponto de tornar a vida insustentável para as famílias palestinas, que acabam abandonando as áreas degradadas.
Atualmente o consumo médio de água de um(a) israelense equivale ao de quatro palestinos(as). O consumo médio de água diário na Palestina é cerca de 70 litros por pessoa (para a OMS- Organização Mundial de Saúde – são recomendados 100 litros), enquanto que o consumo médio dos (as) israelenses é de 300 litros por dia (OperaMundi).

Tal empresa, especializada no roubo de água nos territórios ocupados, já chegou ao território da América Latina
A questão foi debatida no Fórum Social Mundial Palestina Livre.
O Apartheid del agua en Palestina y la privatización del agua del agua a nivel mundial: Mekorot, el agente israelí del robo de aguas, foi organizado por Stop the Wall, Amigos de la Tierra Brasil, ATE (Asociación de Trabajadores del estado Argentino), Federación de Entidades Argentino-Palestinas, Lifesource, FEPAL.
Os representantes da Argentina relataram a luta popular contra a privatização das águas na província de Buenos Aires, que tem a segunda maior densidade populacional da Argentina e é área com maior número de estabelecimentos industriais. Privatização essa que vem sendo encampada pela Mekorot.
Relataram que para tal estão sendo feitos ajustes estruturais, com reformas jurídicas até certo ponto ilegais, sendo que, inclusive, há suspeitas sobre o processo de Licitação pública ocorrido. A israelense se utiliza de constantes campanha publicitárias que faltam com a verdade. Inclusive uma das propostas da empresa é mudar o conceito de água potável para água corrente.
No entanto uma água corrente não tem a mesma qualidade que a água potável, não é uma água propícia para o consumo humano. Mas é uma água mais barata para uma empresa Multinacional lucrar e enriquecer ainda mais. A água torna-se uma mercadoria rentável num mundo com cada vez mais escassez de águas. Assim, não satisfeita em expropriar ás águas, a vida do povo palestino a empresa também que fazê-lo conosco. O Brasil já é alvo das águas sujas de sangue da Mekorot
No semi-árido brasileiro, especialmente na Bahia já existem parcerias com a Mekorot. Em notícia encontrada “Semi-árido baiano pode usar tecnologia israelense de reuso da água” mostra os interesses relacionais ao tratamento de esgoto e ao processo de irrigação por gotejamento. O mais intrigante foram as afirmações que a Mekorot tem intenções sobre as águas de Porto Alegre.
Uma busca rápida na internet vemos que representantes do DMAE (do Departamento Municipal de Água e Esgotos) e o Secretário da Produção, Indústria e Comércio de Porto Alegre, participaram, em 2011, de feira de tecnologias sobre saneamento (Watec). Feira essa que ocorreu em Tel Aviv/Israel. Reforçando a luta pelo água como um bem público A luta contra a privatização das águas e a defesa da água como um bem público precisa ser reforçada.
A apropriação dos territórios para expropriação dos elementos naturais está cada vez mais em expansão, especialmente num mundo de frequente crise do capitalismo, consequentemente da crise ecológica. Precisamos ampliar nossas redes de cooperação e de luta, seja com a Palestina, seja entre os países do Mercosul. Ações como cobranças de uma atitude diplomática dos países do Mercosul e Unasul frente aos interesses da Mekorot sobre as nossas águas.
Bem como, reforçando estratégias de resistência, como a campanha BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), sobre os interesses israelenses nas águas latino-americanas.
A luta pela águas é uma luta feminista Para nós da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) a defesa da água como bem público é luta feminista. A realidade das mulheres que vivem na escassez de água evidencia ainda mais todo o machismo e opressão que o capitalismo exerce sobre nossas vidas. Por conta da divisão sexual do trabalho, são as mulheres que se ocupam do trabalho doméstico, que promovem, dentre tantas coisas, o acesso à comida e à água nos lares. E com as águas sendo privatizadas há toda a problemática de ter recursos financeiros disponíveis para pagar pelo o acesso ou então ir a busca de águas não paga, como ocorre com as mulheres em Manaus-AM.
E no caso das mulheres palestinas, que vivem em zonas de conflito, tais tarefas são ainda mais difíceis e arriscadas. Diante disso, nós mulheres feministas da MMM estamos unidas contra a privatização da água, seja no Rio Grande do Sul, onde já participamos do Comitê em Defesa da Água Pública, seja na luta com as mulheres da Chapada do Apodi-RN, contra os projetos de hidronegócio. Da Palestina a América Latina, de Apodi a Porto Alegre nós mulheres dizemos sim às águas como um bem comum/público, dizemos sim à soberania alimentar. Estamos unidas contra a privatização das águas.
*Cíntia Barenho feminista e ecologista, escreveu o material para o blog da Marcha Mundial das Mulheres
Fonte: MMM

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