domingo, 23 de maio de 2010

Nunca confiei em capitalistas, tampouco em humanistas e socialistas

 Nunca confiei em capitalistas, tampouco em humanistas e socialistas que não enxergam para além de suas espécies 
Por Lucio Uberdan 
Tempos atrás estava na parada em frente minha casa esperando o C2(ônibus) passar, do outro lado da via uma jovem alimentava um cão de rua, ao meu lado um senhor murmurou: “em vez dela alimentar uma criança”, retruquei: “quem tem preocupação com outras espécies provavelmente tem mais sensibilidade com seus iguais que aqueles indiferentes com os animais”, a conversa ficou por ai. Nunca confiei em capitalistas, mas também  não em humanistas e socialistas que não enxergam para além de suas espécies. 
A desigualdade social entre os humanos (na moderna democracia) é definida por “n” variáveis econômicas, políticas e culturais que determinam o papel de cada um na vida em sociedade, definindo o que cada um contribui e recebe do(e no) todo social. A divisão de classe é um dado incontestável que assemelha-se as concepções de Castas da antiga Índia, a diferença é que se na sociedade de castas (antiga) a posição era definitiva, na democracia esta garantido o ambiente de insurgência, rebeldia e luta social dos marginalizados(as). A realidade social é assim um fator mutável, pode-se mudar os números das variáveis. 
Mas e as variáveis?
A vida num sentido amplo é bem mais complexa que números variáveis de desenvolvimento e crescimento, equilíbrio no acesso a bens e direitos na democracia, a abundância a todos(as) poderá não demonstrar-se uma equação sustentável, geradora de felicidade e consciência inter-espécies. Ainda assim uma possibilidade(limitada) no horizonte das capacidades e lutas humanas contemporâneas. Viveiros de Castro diz que “a suficiência é uma relação mais livre que a necessidade”, mas ainda não entendemos isso. 
Mas e as espécies que não contam com a possibilidade de insurgência. 
Intermináveis cidades materializam-se em frente a inúmeras animais que não encontram nela espaço para viver, o que podem esses fazer? Fora das áreas urbanas indústrias definidas como agronegócio são erguidas, cercadas, higienizadas para tirar do solo e da vida ali confinada o máximo possível. O que os seres vivos não humanos podem fazer? 
O cão e a jovem(1º parágrafo) tratam disso, tratam dessa percepção e necessidade que uma sociedade deveria(deverá) gerar respostas para todas as espécies, porém a dialética de uma nova sociedade geradora de novos homens e mulheres, precisa ter esses novos(as) para brotar, um “novo” não nascera com os “atrasados”. A construção não é apenas de uma nova sociedade, mas também de homens e mulheres  em suas individualidades, que geram respostas concretas e práticas para aqueles que não tem a luta social como possibilidade, aos animais vem restando apenas a auto-defesa da vida física, carregam inconscientes uma tarjeta na testa de mais um “recurso natural”. 
Até quando?
Fonte: Brasil Autogestionário/Blog do CEA

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