sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Pradarias nativas da África do Sul ameaçadas pelas monoculturas de árvores

Baobá, árvore nativa da África
Pradarias nativas da África do Sul ameaçadas pelas monoculturas de árvores

As florestas não são as únicas paisagens que estão sendo invadidas pelas plantações de árvores. As biologicamente diversas pradarias nativas da África do Sul estão sendo rapidamente substituídas por monoculturas que requerem muita água, incluindo o eucalipto e o pinus tropical – árvores usadas para exportações de pasta de papel.
Estamos parados no God’s Window, um mirante popular na borda da escarpa Drakensberg no nordeste da África do Sul. Embaixo de nós, um precipício de 700 metros se mergulha em um escuro mar de folhagem. Milha trás milha de floresta se abre na frente o caminho todo para o Parque Nacional de Kruger na fronteira com Moçambique.

“O problema é que estas não são florestas. São gigantes monoculturas de origem exótica”, explica Philip Owen, coordenador de Geasphere, uma organização ambiental apoiada pela Sociedade Sueca para a Conservação da Natureza.
Quando os europeus chegaram pela primeira vez aqui às planícies baixas, a paisagem embaixo de nós estava dominada por pradarias e savana, com florestas limitadas aos vales do rio.
Hoje somente vestígios desse ecossistema original sobrevivem.
“Muitas pessoas consideram as pradarias como paisagens uniformes, quando na realidade contêm uma enorme gama de diversidade –82 espécies de plantas por quilômetro e uma abundância de insetos, pássaros e pequenos mamíferos. Somente uma de cada seis espécies de plantas é pastagem, enquanto a maioria são espécies perenes resilientes.
Em alguns casos podem sobreviver durante milhares de anos em um local.”
Mais de sessenta por cento das pradarias da África do Sul têm desaparecido e nunca poderão ser restabelecidas. Aqui na província de Mpumalanga o processo tem continuado sem pausas por gerações –isso é tão assim, de fato, que muitos consideram hoje o eucalipto australiano e os pinus mexicanos tropicais como espécies de árvores nativas.
O primeiro deles foi plantado há cem anos como fonte de madeira para a indústria da mineração.
As plantações de árvores cobrem agora 1,5 milhões de hectares na África do Sul, incluindo 600.000 em Mpumalanga.
O caminho que se estende desde God’s Window até o capitólio da província, Nelspruit, dá a impressão de uma floresta do norte da Suécia. Mas as fileiras de árvores perfeitamente alinhadas e o esgotado e cinzento solo contam outra história.
O solo aqui carece dos microorganismos necessários para que as folhas de pinus e eucaliptos se descomponham.
O dossel bloqueia toda a luz, enquanto as raízes se esticam até o lençol freático.

Fonte: Parte de texto Extraído da revista “Sveriges Natur” da Sociedade Sueca para a Conservação da Natureza e publicado no EcoDebate de 17/02/2010

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