quinta-feira, 3 de junho de 2010

ESPECIAL SEMANA DO MEIO AMBIENTE 2010 Lixões: total falta de gestão ambiental

 
Aterro Sanitário de Camaquã - uma montanha de lixos
Lixões: total falta de gestão ambiental
Todo dia, cada um de nós, produz cerca de 1 kg (um quilograma) de lixo por dia, em média. Uma família composta por quatro pessoas pode produzir uma tonelada e meia de lixo por ano. Quanto maior o poder aquisitivo, maior o consumo e mais lixo é produzido. Em cidades como Camaquã e Tapes, o montante de resíduos produzidos pela população consiste num dos maiores problemas a ser administrado. A sua gestão envolve a coleta, a separação, o reaproveitamento e, principalmente, a destinação final. Em todas as etapas deste processo, aparentemente simples, pode-se cometer erros que causam sérios problemas ambientais e trazem muita dor de cabeça para os gestores públicos e para a sociedade.
Hoje em dia, nossas crianças aprendem na escola o que é coleta seletiva e para que serve um aterro sanitário. O que ninguém ensina é que devemos consumir menos. Que devemos racionalizar nosso consumo e, consequentemente, a nossa produção de lixo. De fato, a maioria da nossa população não se preocupa com lixo, pois entende que a responsabilidade acaba depois que o saco é recolhido pelo caminhão. Daí em diante, pensa-se que o lixo passa a ser problema só para a Prefeitura.

Lixão das Camélias e, ao fundo, butiazais (Tapes/RS)
E, para as cidades da nossa região, bota problema nisso! Há muito tempo falta gestão ambiental para solucionar o problema do lixo. Um consórcio de Prefeituras tenta há anos construir um aterro sanitário regional, com capacidade para vários municípios. Essa solução esbarra nas escolhas equivocadas do local onde o aterro seria construído. Falta gestão e aplicação de critérios técnicos para seleção de áreas, o que hoje em dia é feito com o uso de uma tecnologia chamada geoprocessamento.
Enquanto o prometido aterro não sai do papel, os resíduos dos tapenses são depositados num lixão, sem licença ambiental e, para piorar, localizado numa área de imensurável importância ecológica e ambiental: conhecida como Butiazais de Tapes. Já, em Camaquã, o aterro sanitário foi construído para atender as principais exigências ambientais: depósito exclusivo de resíduos inaproveitáveis, impermeabilização do solo, tratamento dos gases e do chorume e cobertura regular com camada de terra. A ausência da coleta seletiva, a falta do hábito de separar o lixo em casa e falta de manejo adequado produziram uma montanha de lixo empilhada a céu aberto e sem nenhum controle. Pode-se dizer que o projeto era excelente. Mas, no dia-a-dia, faltou algo que é imprescindível: gestão. E não demorou para o aterro sanitário virar um lixão.
Desculpem-me por trazer essa triste realidade de descaso e desrespeito ao ambiente justamente às vésperas do dia do Meio Ambiente (5 de junho). Mas fica difícil varrer uma tonelada e meia de lixo todo ano para baixo do tapete.
Por Rafael Fernandes
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