sábado, 26 de março de 2011

COMPORTAMENTO - Questão de confiança

 COMPORTAMENTO
Questão de confiança
Por Montserrat Martins 

Um “best seller” com 2 milhões e meio de exemplares  vendidos no Brasil, “O Monge e o Executivo” se propõe a ser um livro sobre  “liderança”, mas é uma verdadeira obra de psicologia sobre a qualidade das relações humanas. Logo nos primeiros capítulos, sempre através de uma história rica em diálogos, mostra a diferença entre o poder (que é imposto à força) e a autoridade (que é conquistada por admiração). E quando os personagens listam os fatores que os levam a atribuir autoridade a alguém, os primeiro item lembrado é “honestidade, confiança”. No nosso trabalho e na nossa casa, sabemos como isso é fundamental. Seja nas grandes ou nas pequenas coisas, a confiança entre casais, ou entre pais e filhos, é questão chave da felicidade das famílias. “Por pior que seja o que aconteceu, me conte sempre” – você por acaso já ouviu isso em algum lugar ? Consegue imaginar sua vida sem essa frase, seja ouvida ou até falada por você ?  Casais e famílias necessitam sempre estar “em dia” com um mínimo, um “básico” de confianças recíprocas, para que as coisas fluam bem. 
O mesmo vale em situações que dizem respeito ao país e até ao mundo como um todo. Fatos ocorridos neste final de mês de março, no Brasil e no exterior, são bons exemplos de crises de confiança. Vamos a eles. Na Líbia, Kadafi disse que estava disposto a dialogar com os rebeldes (que antes ele dizia serem do “Al Qaeda”), mas estes não foram à reunião, supostamente por acreditarem que tal tipo de acordo poderia custar suas vidas no futuro – alguém confia em que Kadafi, podendo, não os eliminaria logo adiante, se mantido no poder ? Dizem os jornalistas estrangeiros na Líbia que se sentem mais seguros de não serem perseguidos pelas autoridades quando estão nos territórios dominados pelos rebeldes. Até por isso também, é natural que a opinião pública internacional passe a simpatizar mais com os rebeldes que com o ditador que está no poder. 
No nosso país, um exemplo desse tipo de conflito é o que  eclodiu no partido que chegou em terceiro lugar nas eleições presidenciais. De um lado os apoiadores da prorrogação do mandato do  presidente do PV, Penna, de outro as maiores lideranças públicas verdes, como Marina e Gabeira, reivindicando mais democracia nos estatutos internos.
A questão da confiança aparece no medo dos atuais dirigentes em perder espaço para Marina e novas lideranças. E também no aspecto da opinião pública: alguém tem dúvida sobre em quem a população confia mais, na presidenciável ou no partido, como ele está hoje ? Não cheguei a ver nenhuma matéria jornalística sobre o assunto, ainda, que apontasse para a segunda hipótese. Não sabemos o que poderá acontecer, nos dois exemplos citados. Não sabemos quem estará no poder, nos próximos meses. Mas se James Hunter estiver certo (o autor de O Monge e o Executivo), a conquista da confiança é um aspecto fundamental para a autoridade e por conseqüência para que tais pessoas sejam alçadas a cargos de maior representatividade (ou seja, que lhe confiram maior poder), seja a médio ou a longo prazo.
Fonte: REDE Os Verdes/via e-mail

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