segunda-feira, 14 de março de 2011

Manifestantes se unem na Europa contra uso de energia nuclear após vazamento em usina no Japão

Manifestantes se unem na Europa 
contra uso de energia nuclear 
após vazamento em usina no Japão

TÓQUIO - O temor de uma contaminação nuclear nas proximidades da usina Fukushima Daiichi, em Okumamachi, na província de Fukushima, após uma explosão na manhã deste sábado levou milhares de pessoas a protestar contra o uso de energia nuclear na Alemanha, na França e na Itália. 
Na Alemanha, manifestantes deram as mãos e formaram uma impressionante corrente humana, que se estendeu por 45 quilômetros, ligando a usina de Neckawarstheim à cidade de Stutgart. A movimentação teve como objetivo confrontar a decisão da chanceler Ângela Merkel, que, no ano passado, prorrogou o tempo de vida das 17 usinas nucleares até 2012. Com bandeiras amarelas com os dizeres "Energia nuclear - não, obrigado", os manifestantes pediram mudança na política nuclear do país. 
Em resposta ao vazamento radioativo no Japão, a chanceler alemã chamou ministros do gabinete para uma reunião neste sábado. O vazamento vem em momento difícil para Merkel, cujos aliados conservadores enfrentam três eleições estaduais em março, diante das preocupações com segurança nuclear que podem dar força a seus oponentes.
No país de Sarkozy, grupos de manifestantes ecológicos renovaram seus pedidos para que a França deixe de depender de energia nuclear. Segundo eles, o vazamento nas usinas nucleares japonesas mostrou que não há garantias de segurança. 
- Está claro que, quando há um desastre natural, as tais medidas de segurança falham, mesmo num país com grande avanço tecnológico. O risco nuclear não pode ser controlado - disse Cecile Duflot, líder do partido verde Europe Ecologie - Les Verts. 
O temor entre os franceses é de que o incidente no Japão seja tão grave quanto o ocorrido em Chernobyl, em 1986, e com o reator da usina de Three Mile Island, na Pensilvânia, em 1979. A França tem 58 reatores nucleares espalhados por 19 estações, responsáveis por gerar quase 80% da eletricidade usada no país. 
Mesmo sem ter usinas nucleares em seu país, manifestantes italianos deixaram claro que são contra o uso da energia, especialmente por causa da vulnerabilidade de seu território a terremotos. A preocupação aumentou depois de o primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, declarar que pretende que 25% da energia elétrica do país seja gerada em usinas nucleares. 
O governo japonês disse que o reator da usina Fukushima Daiichi não foi afetado e que os níveis de vazamento estão caindo. Um porta-voz do Greenpeace, no entanto, afirmou que a situação é alarmante: 
- A explosão em um reator pode ter liberado altas doses de radioatividade, e outros reatores parecem estar em situação crítica. 
Após o vazamento no Japão, o vice-ministro de Meio Ambiente da China disse que o país não tem planos de mudar sua estratégia de desenvolvimento de energia nuclear, uma alternativa para combater a poluição preocupante causada pelo carvão. 
- Tiraremos algumas lições da experiência no Japão na hora de implementar nosso planejamento de usinas. Mas a China não vai mudar seus planos de desenvolver energia nuclear -, disse Zhang.
Fonte: EXTRA

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