quarta-feira, 20 de março de 2013

Grupo de Trabalho discute preservação do Butiazal em Tapes

Grupo de Trabalho discute preservação do Butiazal em Tapes
Em dia de chuva em Tapes, o GT sobre a criação da UC dos Butiazais 'choveu no molhado', literalmente, quando novamente as informações que importam aos proprietários e ambientalistas, não foram satisfatoriamente atendidas. O encontro, realizada em Tapes/RS, foi no dia 15 de março, no Pontal Tapes Hotel.
A necessidade de conhecer o projeto, os limites, os impactos socioeconômicos e os benefícios ambientais da criação de algum modelo de Unidade de Conservação prevista na legislação em vigor, continuou sendo o fator que determinará quaisquer ações jurídicas ou administrativas que venham a declarar a área em questão, sugeridas como uma APA de 11 mil hectares. Esta seria a proposta defendida pela FZB/RS e Ministério Público, segundo a Promotora da Comarca, Carla Pereira, que comandou a audiência na ausência do Dr. Alexandre Saltz, por força de outros compromissos antes agendados.
A discussão migra para um tema que importa a cidade, com segundo estimativas do Prefeito Silvio Rafaeli, que giram em torno de 74% de retorno com os impostos ao município, pagos pelo setor. Assim, culturas tradicionais na região, arroz e eucaliptos, além da criação de gado, agora com a soja avançando pela região, fica a economia versus ecologia no centro da discussão, num debate que precisa de um norte que venha à esclarecer em primeiro lugar aos interessados privados, governo e sociedade civil, para que conhecendo o assunto, se discuta os afetos que existirão para serem minimizados os impactos, mitigadas as ações de produção e recuperadas determinadas áreas com produção de espécies como eucaliptos e pinus, sendo muitas destas lavouras plantadas irregularmente.
Quanto a dimensão da importância ambiental e ecológica da região que compreende a Coxilha das Lombas, na proposta da FZB a área que tem maior importância, vários estudos apresentados nos últimos anos apontam para a grande fragilidade ambiental destes ambientes que se relacionam, por este motivo a necessidade de corredores biológicos com a função de permitir e proteger a fauna existente e evitar que impactos como plantações de eucaliptos interfiram nestes ciclos para a conservação da fauna.
Em despacho da FEPAM em 2007 (Indeferimento de Licença nº 26/2007-DL), quando do indeferimento de uma Licença ambiental para plantio de Silvicultura com Espécies Exóticas, numa área de 267,25 ha com eucalipto para a Aracruz Celulose, a justificativa foi de que "a área em questão encontra-se dentro de uma área de grande fragilidade ambiental, formada originalmente por uma matriz heterogênea composta por áreas úmidas, terraços lacustres, capões florestais, abrangendo um universo de pelo menos 2.021 espécies da fauna e flora, sendo mais de 27 espécies consideradas ameaçadas de extinção. A região dos butiazais de Tapes apresenta evidente fragilidade ambiental, sendo uma das áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade. Somente poderão ser realizados empreendimentos nesta região após definição da forma de conservação destes ambientes, bem como a delimitação final dos mesmos." - (Processo nº 4324-05.67/07-0)
Esta preocupação, quanto a existência de plantios 'clandestinos' na região, sem licenças ambientais e em áreas que não poderiam estar, é antiga e até mesmo sem solução, visto total falta de fiscalização do Estado.
A publicação do Livro RS Biodiversidade trouxe ao conhecimento da sociedade, os estudos realizados pela Fundação Zoo botânica do Rio Grande do Sul, com recursos do MMA/PROBIO e que apontaram para a existência de dezenas de espécies que precisam de atenção redobrada no sentido de sua preservação, uso sustentável e aproveitamentos para pesquisas cientificas. A UERGS de Tapes desenvolveu com êxitos, projetos feitos por alunos do Curso de Tecnologia Ambiental, e que da mesma forma, apontaram possibilidades ações que venham a contribuir na criação e gestão de uma UC para os Butiazais de Tapes.
Os encaminhamentos da reunião foram para que no próximo encontro sejam apresentados pela FZB/RS mapas detalhados, com coordenadas para saberem os proprietários, onde irá incidir a demarcação de algum tipo de UC que possa ser implantada na área de 11 mil hectares, e quais estudos de parte da EMBRAPA e EMATER, participantes do Projeto RS Biodiversidade para o uso sustentável do fruto do butiá, e podem ajudar na economia das pequenas propriedades.
Participaram desta segunda reunião para debater a preservação do Butiazal, as entidades: Ministério Público de Tapes, FARSUL, Comitê da Bacia do Lago Guaíba, EMBRAPA, EMATER, FZB/RS, Os Verdes de Tapes, COMPEMA, Prefeitura de Tapes e Barra do Ribeiro, SMMA de Tapes, UERGS, Sindicato Rural de Tapes e Barra do Ribeiro.
Importante reunião sobre o tema do uso sustentável do Butiá foi realizada em Pelotas/RS, nos dias 18 e 19 de março onde foram apresentados estudos, projetos e ações desenvolvidas dentro do Projeto RS Biodiversidade e os parceiros executores destes projetos.
Fonte: REDE Os Verdes/via Facebook

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