domingo, 3 de março de 2013

ONG luta para salvar onça-pintada no cerrado brasileiro

ONG luta para salvar onça-pintada no cerrado brasileiro
É madrugada na fazenda Preto Velho, a apenas 80 km de Brasília, quando uma onça-pintada selvagem e desprevenida avança em direção à armadilha, se lança sobre a isca e cai abatida por um dardo anestesiante.
Esta não é uma cena comum de caça, mas um projeto científico que pretende colocar uma coleira com localizador de GPS para tentar salvar o maior felino das Américas, em perigo de extinção.
Há 12 anos, a fazenda, propriedade de Cristina Gianni, fundadora da ONG Nex (No Extinction), serve como um santuário de proteção do rei da selva americana, um animal noturno e solitário, grande nadador e que pode percorrer 50 km em um só dia.
O animal, porém, está cada vez mais escasso no cerrado brasileiro, bioma que por sua vez também tem sido reduzido pelo avanço dos cultivos de soja e pela criação de gado.
A surpresa da ONG foi descobrir que nas imediações e tão perto de Brasília havia uma onça livre e, para ajudar a protegê-la em uma área com muitas fazendas, decidiram colocar no animal um colar com GPS graças ao qual poderão saber sua localização, avisando desta forma os fazendeiros da região e, ao mesmo tempo, conhecer seu comportamento livre no cerrado.
Em poucas horas, Xangô, como foi batizada a onça, foi devolvido, livre, ao seu hábitat. O rugido grave do animal de 95 quilos e de pelagem negra penetra no ambiente e sua ameaçadora atitude, olhar aguçado e presas imponentes evidenciam sua ferocidade. A anestesia deixa de fazer efeito e o animal é devolvido ao seu hábitat natural.
“Ter encontrado esta onça-pintada selvagem em excelente um estado de saúde, a tão somente 80 km de Brasília, foi uma fantástica surpresa”, disse à AFP Leandro Silveira, especialista e presidente do Instituto Onça-Pintada, localizado a cerca de 800 km da fazenda Preto Velho, e que cedeu a coleira de monitoramento remoto que ajudará a preservá-lo.
No Brasil, onde se estima que viva a metade das onças-pintadas americanas, ainda existe a profissão de “onceiro”: o caçador da onça-pintada.
A captura de Xangô foi supervisionada por técnicos do Instituto de Meio Ambiente (Ibama) e realizada no mais absoluto sigilo. A AFP, presente na ação, manteve um embargo de 30 dias para evitar que Xangô se tornasse a presa de algum caçador ou fazendeiro ávido por preservar seu gado.
Nestes 30 dias, Xangô, que já mostrou preferência por viver em um bosque próximo, está contribuindo com dados valiosos, graças ao GPS que mostra sua localização em tempo real, o que permite advertir aos produtores de gado das imediações.
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