quinta-feira, 9 de junho de 2011

Debate sobre lixo discute prós e contras do Plano Nacional de Resíduos Sólidos

Debate sobre lixo discute prós e contras do Plano Nacional de Resíduos Sólidos
Lei do lixo é fundamental mas ainda existem obsuridades, alertam debatedores 
Por Gustavo Bonfiglioli
O Brasil gera 183 mil toneladas de lixo por dia, segundo o IBGE. Destas, 73 mil toneladas são de resíduos recicláveis e não aproveitados, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “Em valores monetários, isso equivale à perda 8 bilhões de reais em um ano, que é o PIB da Bolívia. Nós jogamos no lixo uma Bolívia por ano”. Entre outros dados apresentados sobre a geração de resíduos no Brasil, Estanislau Maria, do instituto Akatu, debateu a Política Nacional dos Resíduos Sólidos nesta quinta no Cine Livraria Cultura, às 10h. Também estiveram presentes no evento a arquiteta e integrante do movimento Nossa São Paulo Nina Orlow e a síndica do Conjunto Nacional, Vilma Peramezza, que pratica coleta seletiva no prédio tradicional da Av. Paulista desde 1990.
Para Estanislau, a lei do lixo é fundamental e divide a responsabilidade entre todos os agentes das cadeias produtivas - consumidor final, indústria, empresas e governo. “Porém, há algumas obscuridades: ao mesmo tempo que em a política incentiva a coleta seletiva, não define o papel dos catadores e pode transformar a reciclagem em um mercado muito lucrativo para a iniciativa privada”. O coordenador de comunicação do Akatu, ONG que defende o consumo consciente e sustentável, também afirma que a lei permite a incineração de lixo
Vilma Peramezza também acredita que a responsabilidade compartilhada deve valorizar o trabalho do catador, promovendo sua inclusão nos novos mercados de lixo. “Mas é muito injusto que a reponsabilidade de limpar o mundo seja atribuída a este cidadão, sozinho.” Ela também defende que a melhor maneira de gerir o lixo é a separação na origem.
Para Nina Orlow, da Rede Nossa São Paulo, que reúne mais de 600 organizações da sociedade civil, a política pública também deve se estender à educação ambiental. “Ela tem que estar arraigada na noção de cidadania.” Orlow mediou o debate, onde foram discutidas outras questões como a proposição de critérios de consumo sustentável (como a criação de selos de pegada de carbono e de água para os produtos), o incremento da distribuição de renda adaptado a uma nova realidade de consumo e de geração de resíduos, a logística reversa e o conceito de “obsolescência programada”, que critica que os produtos sejam fabricados sob estruturas cada vez mais “descartáveis”. “O sistema industrial cria produtos mais leves e com vida útil menor, para que a demanda por um novo consumo seja mais frequente”, defende Estanislau. O debate foi seguido da exibição do documentário “O Fazedor de Montanhas”, de Juan Figueroa, que coloca a discussão do lixo em uma perspectiva sociológica e filosófica.
Fonte: Estadão

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